Thursday, January 12, 2006

Palhaço Esparguete comemora 30 anos de carreira

Entrevista: José Gaio / Jornal "O Templário"

Em 2006, Manuel António Nunes, comemora 30 anos como Palhaço Esparguete e 50 anos de vida. Começou a actuar para crianças que hoje levam os filhos aos seus espectáculos. Um caso raro de persistência.

Chama-se Manuel António de Sousa Nunes, mas todos os conhecem por Esparguete. É o único palhaço de Tomar. Anima festas de Natal de escolas, colectividades, empresas, etc.
No próximo dia 23 de Fevereiro completa 50 anos de idade. E há precisamente 30 anos começou a sua carreira como palhaço.
Manuel António já não se lembra bem quando é que aconteceu a sua primeira actuação. Sabe que foi durante 1976 no Grupo de Teatro Amador de Tomar (GRUTA), quando a sede do grupo funcionava na rua voluntários da República, ao lado da antiga sede da Gualdim Pais onde actualmente está o Mini-Preço, em frente à sede do PS.
Entrou para o GRUTA tendo criado aí um grupo de palhaços. E assim nasceu o Esparguete, nome que se deve ao facto de ter 1, 79 m de altura e 60 quilos, sendo portanto uma figura esguia, alta e magra.
Com o fim do GRUTA, criou o Grupo de Palhaços de Tomar, por onde passaram vários elementos, sendo Manuel António o único que se mantém em actividade.
Chegou a ser convidado pelo encenador Hélder Costa para fazer teatro na companhia “A Barraca”. Afirma que tem duas grandes paixões: o cinema e a música. Vê filmes desde os oito anos de idade e vai ao cinema quase todas as semanas.
Actualmente conjuga a sua actividade profissional de motorista e encenador no CIRE – Centro de Integração e Reabilitação de Tomar, com a de palhaço.

- Como é que nasceu o Esparguete?

- Fui convidado por uma pessoa amiga que fazia parte do GRUTA e achou que eu tinha um certo jeito para fazer teatro e eu tentei…

- Mas nessa altura já representava como palhaço?
- Não, nunca tinha pisado um palco.

- E como é que surgiu essa “vocação” para as palhaçadas?
- Assim que entrei para o grupo de teatro fizemos uns quadros de improviso e os elementos acharam que, devido ao meu físico, dava uma certa figura castiça e foi-me sugerido que fizesse o papel de palhaço. O nome foi dado pelos próprios elementos do grupo.

- Quem é que fazia parte do GRUTA?
- Só me lembro de alguns, o António Mota, Mário Janino, Francisco Salgueiro e o irmão dele, António Salgueiro, Céu Cruz, Paula Marques, António Mendes, Martins, Jorge Rivotti, Tomás Ferreira, Luís Filipe (mais da parte técnica), Carlos Rosa, José Morgado, Herculano, Mário Paulo e a mulher dele, a Teresa. Havia mais concerteza agora assim de repente não me lembro…

- Portanto, nessa altura, estando integrado no grupo de teatro, não actuava sozinho?
- Não, se bem que a minha estreia em palco tenha sido sozinho a fazer um sketch a imitar um pianista acompanhado pelo conjunto Trevo.

- E tinha outros papéis?
- Tinha, este grupo, para quem não se lembra, era um grupo vocacionado para teatro infantil. Desde o início que estou sempre ligado a trabalhos dirigidos a crianças…

- Mas pelo que sabemos, o GRUTA também fez peças de teatro que podemos considerar revolucionário, próprio do verão quente de 75…
- É verdade, tivemos uma peça que fez muito êxito, que se chamava “Morreram pela Pátria”. Depois encenámos a “Morte de um Caixeiro Viajante”

- E tinham muitas actuações nessa altura?
- Sim , porque o teatro nessa época tinha mais adesão de público do que hoje em dia, via-se o teatro de uma maneira diferente.

- Quando e porquê que o GRUTA acabou?
- Já não me lembro mas acho que foi nos finais dos anos 70, princípio dos anos 80. E acabou por divergências entre duas facções. Entrou em ruptura e saíram os elementos principais do grupo

- E o que é que aconteceu ao Esparguete? Ganhou autonomia?
- Fiquei parado durante algum tempo, até que recebi um convite para fazer espectáculos de Natal. Tive de recorrer aos meus antigos “companheiros de luta” para conseguir fazer esses espectáculos…

- A partir daí, nunca mais parou?
- Não porque entretanto comecei a montar um espectáculo de mímica e desde essa altura tanto actuo sozinho como em grupo. Entretanto, no final dos anos 80 fiz também parte do grupo de teatro da Mendes Godinho, no qual ensaiamos “A Lenda da Bela Iria”, encenada pelo Mário Cobra.

- Quem são os actores que o acompanham actualmente?
- Desde que o Esparguete nasceu já trabalhei com vários elementos. No princípio foi com o Tomás Ferreira, o João e o Mário Paulo. Mais tarde, entrou o Carlos Rosa, depois o José Morgado e o Herculano. Entretanto, saiu o Zé Morgado e entrou a pequena Pauline. Actualmente os palhaços de Tomar são o Esparguete, Zéquinha e Micróbio, são, respectivamente, Manuel António, Luís Solipa, e, o mais novo é o Tiago.

- Têm muitas solicitações?
- Temos, durante o ano, mas principalmente pelo Natal.

- E quem é que vos procura?
- Desde Câmaras, a particulares, passando por colectividades. Curiosamente fazemos muitos espectáculos em festas de aniversário.

- Mas a sua actividade como palhaço não é a tempo inteiro, tem outra profissão…
- Sim, sou motorista do CIRE e faço encenação do grupo de teatro do CIRE, que é a minha jóia da coroa.

- Entretanto, também foi formando grupos de teatro por várias colectividades…
- Sim, formei o grupo de teatro 1.º de Maio, em Carregueiros, onde moro, e também encenei na Nabantina a peça “A Menina e o Mar” a qual teve bastante êxito. Tivemos vários espectáculos.

- Em Carregueiros, foi por sua iniciativa que nasceu o festival de teatro, não foi?
- Foi, começou em Novembro de 2002 e já vai na quarta edição.

- Alguém pode viver só do teatro aqui na província?
- Eu não vivo do teatro porque sou amador, não faço disto profissão. Acho que é muito difícil viver do teatro fora da capital…

- Os cachets que se cobram são baixos…
São bastante baixos e além disso, faço muitos espectáculos à borla ao longo do ano…
Faço isto porque gosto de fazer e gosto de me sentir bem comigo mesmo e faço para que os outros também se sintam bem. Enquanto assim for continuarei a andar por aí…

- Para 2006 tem projectos em carteira?
- Vou entrar no projecto do Carlos Carvalheiro, “Tomar em Revista” que é uma homenagem às figuras típicas do Concelho de Tomar. Isto é para estrear nos dias 27 e 28 de Fevereiro e 1 de Março no Cine-Teatro Paraíso de Tomar. Além disso vou estrear o novo espectáculo do grupo de teatro do CIRE, que se vai chamar “Todos Diferentes, Todos Iguais”.

- E para comemorar os 30 anos de carreira, está a preparar algum evento?
- Sim, se possível com a participação dos meus antigos colegas do GRUTA, alguns já não sei onde param, mas deixo aqui o apelo para que a gente se junte todos num espectáculo durante 2006.

2 Comments:

Blogger Unknown said...

Olha! O "Gordo" mtem um blogue!
Ah! Ganda Esparguete!

12:13 PM  
Blogger sergio said...

ESTA MENSEGEN E
SO PARA TE DISER SE ES
PALHAÇO A 31
ANOS CONTINUA PELAS A
RUAS A FORA E FAZ MAIS 31 ANOS E
GUARDA ISSO NU CORAÇAO
USA A TUA CABEÇA PK PENSANS BEM
ES UM BOM ENCINADOR DE TEATRO E DE
TODO K DABES OBRIGADA
ESPARGUETE ASSINADO SERGIO COSTA

10:57 AM  

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